sábado, 22 de setembro de 2007

VIGÉSIMO QUINTO DIA Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007.

Chove muito em Porto Alegre, tivemos que pegar um táxi. O shopping pela manhã está deserto. Talvez pelo feriado.

Tomamos nosso café da manhã quase sem visitantes. Pessoas passam, mas não param.

Visitas ilustres: Duca Leindecker, da Cidadão Quem; Theddy Correa, do Nenhum de Nós; Dunga, técnico da seleção brasileira de futebol, Gaby Benedyct, da Bienal B...

Diálogo:

“Ah, é uma cena da cadeia! ...Tem até televisão!”

“E a mala está debaixo da cama... !”

“Mas eles não têm cara de presidiários!”

(Fiquei pensando: A mala embaixo da cama significaria a estagnação?...)

Foi um dia de produção intensa para o coquetel/show de encerramento. Para começar, foi mudado o dia: será no SÁBADO, 29 DE SETEMBRO, às 18h30min, e não no domingo, como seria. Passamos o dia, envolvidos, confeccionando o modelo do convite e providenciando gráfica que os imprimisse de última hora, e com um valor que coubesse no nosso orçamento. O Beto telefonando para gráficas, eu ao lado, ajudando a decidir quantidades, prazos e valores de convites.

Depois, precisamos pedir a um amigo/apoiador, o fotógrafo/multimídia Jener Gomes, que configurasse o convite para o programa de computador que a gráfica utiliza, já que o nosso computador tem recursos limitados. (Toda essa correria porque a idéia de fazer algo para marcar o fechamento desse trabalho também surgiu na última hora.) Foram aproximadamente sete horas de trabalho, no telefone e na internet, até podermos respirar fundo e sentirmos que a função “convites” havia terminado. Trabalhamos duplamente: como cena e como pessoas reais que somos. A vida real invadindo a nossa arte.

Almoço atribulado em virtude do trabalho. Comemos os pastéis trazidos de casa e tomamos o leite achocolatado, o que seria nosso lanche da noite. A cena pode ser a que muitas vezes se repete em muitos lares reais, quando não temos tempo para almoçar...

Fiz uns desenhos de personagens engraçados, para um deles o Beto criou uma voz ótima, e ficamos rindo igual criança, imaginando o personagem e sua vida. Às vezes até esquecemos de onde estamos... Qual será a impressão das pessoas quando nos vêem aqui dentro, morrendo de rir?

Início da noite. Tomamos um sorvete de três sabores, lindo cenicamente...

Uma sexta-feira com cara de domingo: famílias passeando, em câmera lenta; bebês que querem beijar o cachorro cenográfico; casais de braços dados... Cenas idílicas vistas por trás das grades.

Percebo que se tornou mais difícil perceber os detalhes. Certamente porque já estamos acostumados, e tudo passou a ser ‘‘normal”. Cenas do shopping já caíram no “comum”. Estamos ficando “cegos”. É preciso limpar as lentes de vez em quando...

A mãe traz a menina, de uns sete anos, e comenta: “Ela queria ver os presos!” E diz para a menina: “Não são presos olha, filha, é uma obra de arte!” Coloca os fones na menina, que escuta atentamente a música, com os olhos distantes de quem presta muita atenção, concentrada. A mãe, enquanto a menina escuta, pergunta várias vezes se “já deu”. Até que, ansiosa, tira os fones da cabeça da filha (que faz uma tentativa de continuar ouvindo, mas é ignorada) e a leva, bem antes do término dos dois minutos e quarenta segundos da canção.

Os bebês ficam apaixonados pelo Rex, nosso cão artificial. Dão-lhe beijos, abraços, conversam com ele segredos ininteligíveis que só os cães e os bebês entendem.

Duas meninas, pré-adolescentes, colocam os fones e têm um acesso de riso. Divertem-se muito com a canção e a cena. Riem sem parar. A mãe, que passou reto e já está bem distante, impaciente, chama por elas. Contrariadas, largam os fones e saem correndo, no primeiro minuto da canção.

Um dos seguranças passa dizendo que quer ficar aqui dentro, para “não fazer nada”, conosco.

Um comentário:

Jener Gomes disse...

A mala escondida sob a cama seria um símbolo da estagnação? Hahahaha! Já estão pirando!!!